quarta-feira, 17 de junho de 2009

Simples.

Um passo à frente, mas sem olhar pra trás. Se olhar, não olhe, não veja. Olhe para frente. Se olhar para trás, lembre-se: são mais dois passos para o que já passou.
O futuro está ali, logo ali, quanto mais pra frente se olha, mais perto se vê. Não coloque o sonho em lugar tão alto, ele voa sozinho. Coloque exatamente na sua frente, para que quando for caminhar, para frente, ele esteja onde suas mãos possam alcançar.
Simples assim.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Era a mesma época do ano em que Ela sentia todo aquele horror à monotonia diária. Mas, um ano depois, podia mesmo dizer que sua vida estava diferente. Ela não sentia as entranhas revirarem-se todos os dias, Ela não olhava para o lado de manhã pensando "o que eu ainda to fazendo aqui?". Tudo tinha mudado. Meu deus quantas vezes sentiu saudade daquela rotina doce durante esse ano todo, doce pq não tinha sal, mas talvez nem doce fosse mais, há tempos, só Ela não percebia, iludida com a saudade. Saudade dói, mas a rotina lhe doía mais. E hoje podia olhar para si e não sentir enjoos, aquela incompatibilidade entre Eles lhe amargurava de uma forma que a fazia não mais SE suportar.
Tudo isso tinha passado, uma nova vida começava, mas Ela sabia que só começaria se fosse capaz de fechar a vida que tinha atrás de si.
Realizada. Incompleta de uma forma totalmente positiva, feliz de tão desencontrada, de tão perdida, realizada. Era isso que a completava, era a busca diária por algo diferente, por novidades, por paixões de um dia, uma noite. E depois de tudo, se sentisse aquela saudade, sabia que tinha um bom livro, uma boa música, uma boa comida e bons amigos. E o que mais nos dá prazer não é mesmo as alegriazinhas do dia a dia?
E o sonho maior, aquele que a cada dia se tornava mais colorido para Ela, esse sim, movia o mundinho egoísta em que Ela vivia. O mundinho que, por sinal, ela amava.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Resolvi voltar a escrever mais direto, essa história de ficar fazendo festa e não ler nada, nem escrever nada me cansou um pouco. Não sei se é porque estou com uma dor terrível alucinando meu rim, mas a disposição hoje não era zero por alguns poucos [bons] motivos que me fizeram sair da cama. Odeio o quão egoísta sou quando escrevo e só quero falar de mim. Nada de opiniões sobre música, filmes, peças, até porque minha vida cultural foi anulada hoje com essa dor,logo hoje que eu ia no teatro ver A decisão, e depois,é claro, ia tomar uma cervejinha na cidade baixa e fazer um social. (voltando)
gosto disso de ter um lugar que não seja o word nem um bloquinho velho para escrever, pq ao mesmo tempo que é tão meu (pq sou egoísta), e talvez ninguém veja mesmo, tá tão aberto pro mundo.
Ok, divagações à parte..
"Pq não escreveu cedo?", perguntou minha mãe agora. Como se tivesse hora pra escrever o que dá na telha.
Ela interrompeu meu fluxo de inspiração. Ainda bem que isso aqui é só meu. Todo meu. Sou bem egoísta às vezes, e quem não é?, difícil é assumir. Sou revoltada também, hoje quero queimar um sutien, mas um bem moderno, com alça ajustável para cada tipo de blusa e que fecha na frente. O meu abre mais do que fecha, mas isso é outra história.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Hoje cheguei na aula desanimada, sono pegando, 07:30 da manhã em viamão. Entrei emburrada, sentei no fundo da sala. Abri o caderno, não prestei atenção em nada, procurei coisas a ler que me distraíssem e fizessem o tempo passar mais rápido. Pensei que ia ser um daqueles dias emque nada dá certo.Tinha certeza de que ia ser um desses dias. Lembrei do dia anterior, do quanto estava angustiada, sei lá. Uma confusão de pensamentos que me agoniavam ontem, hoje uma tristeza injustificável, considerando que a minha vida vai bem (diz-se que a vida "anda bem" quando todos os campos dela estão em perfeita harmonia, o que é quase impossível pq se a gente tem bons amigos e não se irrita com eles, e um bom emprego com grana sobrando provavelmente não temos namorado, pegada, ou afins e a guerra familiar estará em sua fase mais sanguinária. O contrário também é mais do que válido.), enfim, loucura e raiva tomando conta do meu ser instável, e eu completamente SURTADA. Quando terminei de pensar todas essas merdas, já eram 8:45, o tempo tinha passado e eu tinha encontrado uns escritos antigos no fim do caderno. A data, não sei se dizia, mas eu tenho certeza que era por julho, é, tava escrito na folha. Que eu me lembrasse, tudo corria perfeito na minha vida em julho. Tipo essa harmonia que tá rolando por agora, que é bom nem falar pra que os olhos alheios não recaiam sobre nossa humilde felicidade. Enfim, pensei muito sobre porquê eu tinha escrito altos desabafos e linhas realmente inspiradoras para mulheres em crise de relacionamento, ou de outros campos da vida, se eu só sei escrever bem quando não estou bem. E por que eu só escrevo bem quando não estou bem, a felicidade não é inspiradora?
A resposta, minha cara Debbie, é uma só: TPM. E eu que achava que não tinha essas frescuras de "mulherzinha". TPM, Ela alucina tua cabeça, ela te faz ver tudo distorcido, te enlouquece de forma descontrolada, ela te inspira. TPM. Por favor, apenas uma semana de inspiração me basta!

sábado, 9 de agosto de 2008

COTIDIANO

"Minha cabeça dói muito hoje." Ela acordou cansada e sabia que o resto do dia seria assim. Os olhos num quase fechar-se denunciariam a noite mal dormida, mas não era a habitual cara-de-ressaca-de-festa-boa. A cara, e não só ela, mas também a mente e o coração eram de quem estava prestes a se entregar.
Sentia-se burra e desconfiante de si, não sabia mais o que queria nem quem era, e achou tudo isso tão banal e pós-moderno que resolveu parar de sentir pena de si mesma.
Levantou da cama com aquela música de despertador alucinando sua cabeça, as coisas em volta giravam e ela via pontinhos estrelados como via muitas vezes em outras situações cheias de prazer. Tomou café e odiou tudo o que engolia, que continha o sabor amargo de todo dia. Sentiu um enjôo e o gosto nojento de vômito vindo a levou às pressas para o banheiro. Vomitava aquilo tudo que engolira hoje, ontem e sempre.
Ela agora poderia estar pensando que se transformaria numa barata, porque sabia os sintomas e porque sua cabeça tinha um ritmo doido que a fazia pensar mil coisas absurdas num segundo. Mas hoje pensava em nada. Pensava no nada que era a sua e a vida de milhões de outras pessoas. Pensava a que lugar chegaria sendo esse nada que era. Era tão nada e nada continuaria sendo que sabia o tamanho de sua banalidade no mundo, e sabia que essa era mais uma crise infernal que resolve chegar nos momentos em que mais precisa de forças..e tinha certeza de sua banalidade.
O que pessoas não banais fazem, o que elas pensam? Quem não é banal?
Demorou mais uma hora e meia naqueles pensamentos não funcionais enquanto se arrumava para ninguém. Saiu de casa naquele ritmo acelerado, indo para nenhum lugar, ou para o mesmo lugar de sempre, automática, inconsciente. O coração ainda apertava no peito sem dizer porque, o estômago ainda revolvia, e as pernas continuavam andando em total descompasso, o corpo todo não demonstrava coerência nenhuma com sua mente. Atravessando ruas, passava por figurinos interessantes que talvez escondiam a mediocridade interna daquelas pessoas.
Chorou mais, chorou intensamente no meio da rua, sem explicação nem entendimento. Queria descobrir o que movia o mundo, o que fazia todas aquelas pessoas sairem para a rua tão cedo e voltar para casa tão tarde, sem nenhum prazer, sem...
Voltou para casa, dormiu até não sentir mais sono e voltou a dormir. E quando acordou, cansada de dormir, foi até a janela, olhou a imensidão no céu, a escuridão da noite, as luzes do aeroporto brilhando...E sorriu.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Todas as vezes aquilo acontecia: meu coração disparava, minhas mãos tremiam e suavam durante quase duas horas. Eu sabia que mil vezes fosse ali, mil vezes sairia com as pernas bambas, como se houvesse sido agredida. No entanto, era uma sensação tão gostosa. Eu sentia a vibração daquelas milhares de pessoas com os olhos arregalados, sentia o chão tremer, parecia que tudo ao meu redor desmoronaria e, ao mesmo tempo, havia uma espera angustiante por trás de tanta euforia.

Era minha paixão. Quem não gosta de futebol pouco pode compreender de um amor tão fiel, capaz de durar toda a vida. Poucas paixões eram tão duradouras: a de namorados terminava em meses, ou até mesmo semanas. A de esposos, por mais que durasse, não tinha a garantia de fidelidade eterna, assim como a de irmãos, amigos. Nenhuma poderia ser tão intensa, duradoura e avassaladora como essa.

Quarta-feira, 21h45min. Apita o juiz. As palmas na arquibancada começam e, pouco a pouco, contagiam uma torcida inteira. O vermelho vibrante me emociona, meus olhos já começam a encher de lágrimas. Sei que ainda não é hora de extravasar as emoções, mas era essa minha vontade. Atenção total em cada lance, o olho capta cada movimento da bola e consegue também observar tudo em volta dela. Meu olho já está treinado a essas situações. Agora consigo ver a jogada em campo e o outro lado da arquibancada. Procuro meu ídolo em meio a tantos jogadores, pois sei que ele é capaz de ser imprevisível e aparecer de onde menos espera-se.

De repente, a monotonia é o destaque do jogo. Passes errados, poucas chances de gol, o público sentado. Tédio. Esse é o brilhante mundo do futebol, pensava eu. Tudo se encaminha para um empate sem brilho. Fim do primeiro tempo.

Na segunda etapa tudo volta a brilhar. As mesmas sensações percorrem meu corpo, como a indicar algo que está por acontecer. As chances de gol aumentam, meu coração volta a bater, como o coração do estádio, que vibra na intensidade daquela torcida.

Olho o relógio: 40 minutos já se passaram, nada mudou no placar. Impaciente, procuro o chão com os olhos, algo aperta o meu peito. Não sinto as pernas, nem tampouco os braços. Penso em entregar-me à fraqueza, mas a vontade de continuar sentindo aquela emoção louca é maior.

No milésimo de segundo em que pensava tudo isto, meu olhar se desprendeu da bola, do campo – perdi meu ídolo de vista – meu coração acelerou, o público gritava algo quase incompreensível, minhas mãos formigavam, minha vista embaçou. Gooooooooool!

Tudo estava decidido: o jogo, o futuro do meu time naquela competição, a paixão que inundava a alma de cada torcedor ali e em outras partes do mundo e, lamentavelmente, minha nova vida de torcedor, até então habituado ao agito próximo ao campo.

Não fui capaz de segurar a fraqueza naquele momento. E o coração, cotidianamente entregue às maiores emoções, me impedia agora de voltar ao estádio.

sábado, 3 de maio de 2008

E o mês das tempestades resolveu aparecer...

Cá estou, após muita resistência, a escrever na internet, abandonando meus bloquinhos de anotação, que já andam amarelados pela estante. Curioso, esse texto anterior foi o primeiro que consegui escrever, na íntegra, pelo computador. Arcaico, não? Confesso que sou um tanto avessa à modernidade, normal, mas logo acabo cedendo, como cedo agora.
E essa chuva que, com tanta violência, me aquieta em casa, aninhada com meu muchachito, me inspira a escrever...